5 dicas para usar AI no seu dia a dia como Dev Senior
Uso AI diariamente no meu trabalho como desenvolvedor. Nao como hype ou experimento, mas como ferramenta de produtividade — igual uso o terminal, Git ou meu editor. Neste post, compartilho 5 praticas que adotei para extrair valor real de AI no dia a dia, sem perder qualidade ou controle do codigo.
O ponto-chave: AI e uma ferramenta, nao um substituto. Saber quando usar, qual modelo escolher e como dar contexto adequado separa quem perde tempo de quem ganha produtividade.
1. Use MCPs para dar contexto real ao modelo
A maior limitacao de AI e alucinacao — inventar codigo, APIs ou arquivos que nao existem. MCPs (Model Context Protocol) resolvem isso conectando o modelo diretamente ao seu ambiente.
O que muda na pratica:
- Modelo le seus arquivos reais em vez de adivinhar estrutura
- Acessa seu banco de dados para gerar queries corretas
- Consulta issues e PRs do GitHub para entender contexto
- Busca documentacao interna no Notion ou Confluence
MCPs que uso diariamente:
| MCP | Uso |
|---|---|
| Filesystem | Ler/navegar codigo do projeto |
| GitHub | Contexto de issues e PRs |
| Postgres | Gerar queries com schema real |
| Brave Search | Pesquisar docs e solucoes |
Como configurar (exemplo para Claude Code):
{
"mcpServers": {
"filesystem": {
"command": "npx",
"args": ["-y", "@anthropic/mcp-server-filesystem", "/path/to/project"]
},
"github": {
"command": "npx",
"args": ["-y", "@anthropic/mcp-server-github"],
"env": { "GITHUB_TOKEN": "seu-token" }
}
}
}
Dica: comece com filesystem apenas. Ja muda completamente a qualidade das respostas.
2. Escolha o modelo certo para cada tarefa
Nem toda tarefa precisa do modelo mais caro. Otimizo custo e velocidade escolhendo o modelo adequado:
| Tarefa | Modelo que uso | Por que |
|---|---|---|
| Autocomplete enquanto digito | Codestral / modelo local | Latencia baixa, custo zero |
| Explicar codigo ou debug | Claude Sonnet | Bom raciocinio, custo ok |
| Refatoracao complexa | Claude Sonnet | Equilibrio qualidade/custo |
| Decisoes de arquitetura | Claude Opus | Preciso do melhor raciocinio |
| Gerar testes em massa | GPT-4o-mini | Volume alto, qualidade suficiente |
| Tarefas simples/repeticoes | Modelo mais barato disponivel | Nao precisa de “inteligencia” |
Na pratica, 80% do meu uso e com Sonnet. Opus so para decisoes criticas onde erro custa caro.
Ferramentas que faciliam isso:
- Claude Code / Cursor: permite trocar modelo por tarefa
- Continue.dev: configuracao de modelos por tipo de acao
- OpenRouter: API unica para multiplos modelos
3. Automatize tarefas repetitivas
AI brilha em tarefas que sao tediosas mas seguem padroes. Identifico essas oportunidades e deixo AI fazer o trabalho pesado.
Geracao de testes unitarios:
Passo a funcao e o contexto, AI gera testes cobrindo casos principais e edge cases. O que levava 30 minutos vira 5 minutos (incluindo revisao).
"Gere testes unitarios para a funcao X.
Considere: casos de sucesso, erros de validacao, edge cases com valores nulos.
Use o padrao de testes existente em /tests como referencia."
Atualizacao de documentacao:
Depois de um PR grande, peco para AI sugerir updates no README ou docs de API baseado no diff.
"Analise as mudancas deste PR e sugira atualizacoes necessarias
para a documentacao em /docs. Mantenha o estilo existente."
Migrations e refactors em massa:
Renomear variaveis, atualizar imports, migrar de uma API para outra. AI aplica o padrao em dezenas de arquivos enquanto eu reviso.
"Refatore todos os arquivos em /src/components para usar
o novo hook useAuth em vez de useContext(AuthContext).
Mantenha o comportamento identico."
Regra: sempre reviso o output antes de commitar. AI acelera, mas a responsabilidade e minha.
4. Proteja dados sensiveis
Quando uso AI com codigo de trabalho, tomo cuidados com dados sensiveis:
O que nunca envio:
- Credenciais, tokens, secrets
- Dados de clientes (PII)
- Codigo proprietario critico sem autorizacao
- Informacoes de infraestrutura interna
Como me protejo:
- Uso modelos com politica clara de nao-treinamento (Claude, GPT-4 API)
- Prefiro modelos locais para codigo muito sensivel
- Removo dados reais antes de enviar exemplos
- Verifico politicas da empresa antes de usar ferramentas novas
Exemplo: se preciso debugar uma query com dados de cliente, substituo os valores reais por dados fake antes de colar no chat.
-- Antes (NAO enviar):
SELECT * FROM users WHERE email = 'cliente.real@empresa.com'
-- Depois (OK enviar):
SELECT * FROM users WHERE email = 'teste@exemplo.com'
5. Saiba quando NAO usar AI
AI nao e a resposta para tudo. Aprendi a reconhecer quando ela atrapalha mais do que ajuda:
Evito AI quando:
- Preciso aprender algo novo profundamente (AI da atalho, mas nao ensina)
- O problema exige conhecimento muito especifico do dominio
- Estou explorando solucoes e preciso pensar criativamente
- O codigo e critico e preciso entender cada linha
- A tarefa e tao simples que abrir o chat demora mais que fazer
Prefiro AI quando:
- Tarefa e repetitiva e segue padrao claro
- Preciso de boilerplate ou scaffold inicial
- Quero uma segunda opiniao rapida
- Estou debugando algo e quero hipoteses
- Preciso traduzir entre linguagens/frameworks
A tentacao e jogar tudo para AI. Mas tempo gasto revisando codigo ruim ou corrigindo alucinacoes as vezes e maior do que fazer do zero.
Conclusao
Minhas 5 praticas para usar AI como senior:
- MCPs - De contexto real ao modelo (filesystem, GitHub, DB)
- Modelo certo - Escolha baseado na tarefa, nao no hype
- Automatize - Testes, docs, refactors em massa
- Proteja dados - Nunca envie secrets ou PII
- Saiba parar - AI nao e resposta para tudo
A diferenca entre usar AI como junior e como senior: junior usa para tudo esperando magica; senior usa como ferramenta, sabendo exatamente quando ela agrega e quando atrapalha.
Comece por uma coisa: configure o MCP de filesystem no seu editor e veja como as respostas melhoram quando o modelo realmente “ve” seu projeto.