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2 de outubro de 2025
Atualizado em 14 de janeiro de 2026
6 min
🇧🇷 PT-BR
#ai#ia#mcp#produtividade#boas-praticas#ferramentas#automacao

5 dicas para usar AI no seu dia a dia como Dev Senior

Uso AI diariamente no meu trabalho como desenvolvedor. Nao como hype ou experimento, mas como ferramenta de produtividade — igual uso o terminal, Git ou meu editor. Neste post, compartilho 5 praticas que adotei para extrair valor real de AI no dia a dia, sem perder qualidade ou controle do codigo.

O ponto-chave: AI e uma ferramenta, nao um substituto. Saber quando usar, qual modelo escolher e como dar contexto adequado separa quem perde tempo de quem ganha produtividade.

1. Use MCPs para dar contexto real ao modelo

A maior limitacao de AI e alucinacao — inventar codigo, APIs ou arquivos que nao existem. MCPs (Model Context Protocol) resolvem isso conectando o modelo diretamente ao seu ambiente.

O que muda na pratica:

  • Modelo le seus arquivos reais em vez de adivinhar estrutura
  • Acessa seu banco de dados para gerar queries corretas
  • Consulta issues e PRs do GitHub para entender contexto
  • Busca documentacao interna no Notion ou Confluence

MCPs que uso diariamente:

MCPUso
FilesystemLer/navegar codigo do projeto
GitHubContexto de issues e PRs
PostgresGerar queries com schema real
Brave SearchPesquisar docs e solucoes

Como configurar (exemplo para Claude Code):

{
  "mcpServers": {
    "filesystem": {
      "command": "npx",
      "args": ["-y", "@anthropic/mcp-server-filesystem", "/path/to/project"]
    },
    "github": {
      "command": "npx",
      "args": ["-y", "@anthropic/mcp-server-github"],
      "env": { "GITHUB_TOKEN": "seu-token" }
    }
  }
}

Dica: comece com filesystem apenas. Ja muda completamente a qualidade das respostas.

2. Escolha o modelo certo para cada tarefa

Nem toda tarefa precisa do modelo mais caro. Otimizo custo e velocidade escolhendo o modelo adequado:

TarefaModelo que usoPor que
Autocomplete enquanto digitoCodestral / modelo localLatencia baixa, custo zero
Explicar codigo ou debugClaude SonnetBom raciocinio, custo ok
Refatoracao complexaClaude SonnetEquilibrio qualidade/custo
Decisoes de arquiteturaClaude OpusPreciso do melhor raciocinio
Gerar testes em massaGPT-4o-miniVolume alto, qualidade suficiente
Tarefas simples/repeticoesModelo mais barato disponivelNao precisa de “inteligencia”

Na pratica, 80% do meu uso e com Sonnet. Opus so para decisoes criticas onde erro custa caro.

Ferramentas que faciliam isso:

  • Claude Code / Cursor: permite trocar modelo por tarefa
  • Continue.dev: configuracao de modelos por tipo de acao
  • OpenRouter: API unica para multiplos modelos

3. Automatize tarefas repetitivas

AI brilha em tarefas que sao tediosas mas seguem padroes. Identifico essas oportunidades e deixo AI fazer o trabalho pesado.

Geracao de testes unitarios:

Passo a funcao e o contexto, AI gera testes cobrindo casos principais e edge cases. O que levava 30 minutos vira 5 minutos (incluindo revisao).

"Gere testes unitarios para a funcao X.
Considere: casos de sucesso, erros de validacao, edge cases com valores nulos.
Use o padrao de testes existente em /tests como referencia."

Atualizacao de documentacao:

Depois de um PR grande, peco para AI sugerir updates no README ou docs de API baseado no diff.

"Analise as mudancas deste PR e sugira atualizacoes necessarias
para a documentacao em /docs. Mantenha o estilo existente."

Migrations e refactors em massa:

Renomear variaveis, atualizar imports, migrar de uma API para outra. AI aplica o padrao em dezenas de arquivos enquanto eu reviso.

"Refatore todos os arquivos em /src/components para usar
o novo hook useAuth em vez de useContext(AuthContext).
Mantenha o comportamento identico."

Regra: sempre reviso o output antes de commitar. AI acelera, mas a responsabilidade e minha.

4. Proteja dados sensiveis

Quando uso AI com codigo de trabalho, tomo cuidados com dados sensiveis:

O que nunca envio:

  • Credenciais, tokens, secrets
  • Dados de clientes (PII)
  • Codigo proprietario critico sem autorizacao
  • Informacoes de infraestrutura interna

Como me protejo:

  • Uso modelos com politica clara de nao-treinamento (Claude, GPT-4 API)
  • Prefiro modelos locais para codigo muito sensivel
  • Removo dados reais antes de enviar exemplos
  • Verifico politicas da empresa antes de usar ferramentas novas

Exemplo: se preciso debugar uma query com dados de cliente, substituo os valores reais por dados fake antes de colar no chat.

-- Antes (NAO enviar):
SELECT * FROM users WHERE email = 'cliente.real@empresa.com'

-- Depois (OK enviar):
SELECT * FROM users WHERE email = 'teste@exemplo.com'

5. Saiba quando NAO usar AI

AI nao e a resposta para tudo. Aprendi a reconhecer quando ela atrapalha mais do que ajuda:

Evito AI quando:

  • Preciso aprender algo novo profundamente (AI da atalho, mas nao ensina)
  • O problema exige conhecimento muito especifico do dominio
  • Estou explorando solucoes e preciso pensar criativamente
  • O codigo e critico e preciso entender cada linha
  • A tarefa e tao simples que abrir o chat demora mais que fazer

Prefiro AI quando:

  • Tarefa e repetitiva e segue padrao claro
  • Preciso de boilerplate ou scaffold inicial
  • Quero uma segunda opiniao rapida
  • Estou debugando algo e quero hipoteses
  • Preciso traduzir entre linguagens/frameworks

A tentacao e jogar tudo para AI. Mas tempo gasto revisando codigo ruim ou corrigindo alucinacoes as vezes e maior do que fazer do zero.

Conclusao

Minhas 5 praticas para usar AI como senior:

  1. MCPs - De contexto real ao modelo (filesystem, GitHub, DB)
  2. Modelo certo - Escolha baseado na tarefa, nao no hype
  3. Automatize - Testes, docs, refactors em massa
  4. Proteja dados - Nunca envie secrets ou PII
  5. Saiba parar - AI nao e resposta para tudo

A diferenca entre usar AI como junior e como senior: junior usa para tudo esperando magica; senior usa como ferramenta, sabendo exatamente quando ela agrega e quando atrapalha.

Comece por uma coisa: configure o MCP de filesystem no seu editor e veja como as respostas melhoram quando o modelo realmente “ve” seu projeto.

Bruno Germano

Engenheiro de Software, Criador de Conteúdo, Developer Advocate 🥑 e Maker.

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